segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O que é um colisteiro



Por jlcaon@terra.com.br



Colisteiro é um amante da escrita e do ato de escrever. Enquanto tal, ele é leitor. A maioria dos leitores são servos: leem sem amor à escrita. Esse leitor é como escriba: amanuense antigo ou taquígrafo moderno. Escreve para ganhar dinheiro ou por ofício. O leitor serviçal lê porque ninguém lhe lê. Uns escrevem sem ser pensadores; outros leem como alto-falantes.

A empresa do colisteiro para se tornar escrevinhador ou leitor é viável, mas nada fácil.

Antes da imprensa, os pensadores ditavam aos amanuenses. Poucos praticavam a escritura. Carlos Magno era analfabeto: http://www.confrariadasideias.com.br/Background%20(magno).htm

Depois da imprensa pensadores e literatos ainda ditam suas obras a taquígrafos. Dostoievsky casou com a taquigrafa dele. (http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2005/02/o-jogador-de-dostoievskili-bastante.html)

A escrita, expressão do próprio punho, agora é também digital: o triunfo da subjetividade, pessoalidade, diferencialidade. Enquanto ler e escrever não se tornarem derivativos poderosos da pulsão ou do desejo, vão será o esforço do colisteiro em sair da ignorância e do gozo dessa ignorância. A prática da virtude é prática de escrita e de leitura. Mas, não é prática serviçal, feita vez por outra. É prática de vida, incorporada na existência sensual de vivente; na existência cultural de cidadão, como escovar os dentes após as refeições. Ao adormecer, quem se lembra que não escovou os dentes, incontinenti se levanta e vai escovar os dentes. Não dormiria sem escovar os dentes. Dormiria sem ter lido os e-mails, sem ter escrito uma linha, segundo o sábio lema antigo: nulla die sine línea?

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