domingo, 6 de janeiro de 2013

Por que o pesquisador psicanalítico estua lógica?



LÓGICA ANTIGA (LA) e LÓGICA MODERNA (LA):
DIFERENÇA EM SEUS QUADRADOS DAS PROPOSIÇÕES


Este texto será debatido nesta próxima segunda-feira, das 10h às 12h, dia 07 de janeiro de 2013. Afora, os participantes de sempre, há espaço para 15 novos participantes que se sintam convocados e se expressarem por demanda ou iniciativa. O lugar será anunciado a cada um logo após a inscrição ter-me chegado via e-mail. Att jlcaon
 

Qual o universo do discurso da pesquisa psicanalítica
para o atual homem de ciência?

Bibliografia:
COPI, p. 156-159: “O Conteúdo existencial”.
COHEN-NAGEL, p. 57-59: “Contenido existencial de las proposiciones categóricas”.

Copi cita Shakespeare e Homero dizendo-nos: “Alguns espectros aparecem nas obras de Shakespeare” e “Alguns deuses gregos são descritos na Ilíada.” Ora, todos sabemos que não existem espectros nem deuses, portanto são enunciados falsos, isto é, sem fundamento material e sensível. Todavia, tomados no universo literário de Shakespeare e Homero, são deveras enunciados verdadeiros, “fáticos”, isto é, “literariamente fáticos”.  Isto é, são verdadeiros enquanto estão presentes nos escritos de Shakespeare e de Homero.
A comparação das proposições A e E contra as proposições I e O obriga a admitir que as proposições universais A e E não implicam existência, isto é, conteúdo existencial, enquanto que as particulares I e O exigem conteúdo existencial!!!
Para que a proposição “Todos os corruptos são malvados” não implica a existência de corruptos. Aliás, é por não implicar conteúdo existencial que A e E são contrárias.
A partir de Boole, há que reformular o quadrado das oposições da Lógica Antiga (LA). Segundo Boole, as proposições I e O tem conteúdo existencial. Por exemplo, se a classe do Sujeito, S, for nula, então as proposições I: “Algum S é P” e O: “Algum S não é P” são necessariamente falsas, pois que nessa classe S, não há conteúdo.   Todavia, na relação de contraditoriedade, mesmo sendo falsas, tanto I contra E ou O contra A, suportam a relação de contraditoriedade. Mas, por que Boole sustenta isso? Estaria pagando tributo à LA? Não, de jeito nenhum. Boole constitui sua LM (Lógica Moderna) considerando que as proposições universais A e E, não têm conteúdo existencial. Então, a contraditoriedade entre O e A e a contraditoriedade entre I e E continua vigorando, mas o fundamento da LM não é o fundamento da LA!
Cohen-Nagel também dizem de modo bem incisivo que as universais A e E não afirmam a existência de algum indivíduo, apenas negam existência de certos tipos de indivíduos. As particulares I e O não negam a existência de nada, elas afirmam que certas classes têm membros, pelo menos um. Por exemplo: “Todos os varredores de rua são pobres”, que é uma A, significa que se um indivíduo é varredor de rua, ele tem que ser pobre. Não se infere que haja de fato um varredor de rua em Marte, mas que se lá houver um varredor de rua, ele tem que ser pobre.
Booleanamente, assim se lê a A: “Todos os varredores de rua são pobres” => “PARA TODOS OS CASOS OU VALORES DE x, se x é um varredor de rua, então x é pobre.” 
E, booleanamente, assim se lê a I: “Alguns varredores de rua são obres: => “EXISTE UM x; tal x é varredor de rua e x é pobre.”
Que as proposições universais A e E não implicam existência, fica claramente evidenciado com a enunciação da primeira lei do movimento, por Newton: “Todos os corpos não submetidos a forças externas persistem eternamente ou em seu estado de repouso ou de movimento retilíneo uniforme”.  Alguém pode encontrar esse corpo?  Também sabemos que “Todos os corpos se atraem mutuamente” (Lei da gravitação universal).
Assim, pelos princípios das ciências as proposições universais agem sempre como hipóteses, não como enunciados fáticos afirmando a existência de indivíduos que exemplificam os enunciados universais! As ciências não exigem fatos concretos, mas apenas fatos possíveis, fatos plausíveis, passiveis de probabilidade.
Por fim, que existência é a existência implicada nas proposições particulares I e O? A existência em questão é a que pode se dar no UNIVERSO DO DISCURSO em questão. A existência de deuses no UNIVERSO DO DISCURSO de Homero ou a existência de espectros no UNIVERSO DO DISCURSO de Shakespeare é verdadeira. Fora desses contextos, nem sequer se pode chamar de existência, ou não será mais a mesma que aparece em Homero ou Shakespeare. O que existe num UNIVERSO DE DISCURSO pode não existir em outro.
Cohen-Nagel antes de encerrar o Capítulo 02, p. 66-68, explicitando a diferença entre a LA e LM no que tange as proposições, servindo-se da representação diagramática, p. 54-57, encenariza, por meio dos círculos de Euler-Venn, o novo quadro das proposições da LM. E na página 68, reoferecem o quadrado das proposições da LM.
Por sua vez, Copi, p. 160-165, servindo-se dos diagramas de Venn, já fizera o mesmo e com mais didática e propriedade.
A comparação dos dois textos permite que se aplique essa LM a fatos psicanalíticos, proposições psicanalíticas, ensejando uma contribuição ao campo da ciência moderna fundada na LM. Por exemplo, ... (a ser continuado, por quem se sentir convocado).           


FICHA DE ESTUDO PARA AS ATIVIDADES DE 07 de janeiro de 2013.
            Por jlcaon@terra.com.br

.01. Brain-storming: “Que diferenças há entre “CLASSE” e “PROPOSIÇÃO”? (Alguém escreve a lista de respostas.)
.02. Um círculo numa folha de papel representa (é o diagrama de) uma CLASSE. Desenhar esse círculo.
.03. Representar os termos de SUJEITO e de PREDICADO de uma PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA TÍPICA respectivamente por S e P. Desenhar dois círculos encimados pelas letras S e P.
.04. A classe do S e a classe do P se relacionam por meio de uma PROPOSIÇÃO. Essa relação pode ser representada a) por palavras formando uma frase tecnicamente definida; b) por letras marcadas positivamente (isto é, S ou P, sem sinal algum) ou negativamente (isto é, S ou P com traço sobreescrito). Exemplificar a) e b).
.05. Escrevem todas as POSSIBILIDADES de associação de S e P.
.06. a) Um círculo em branco não quer dizer nada. b) Dois círculos em branco, um ao lado do outro nada significam. c) Um círculo em branco sobreposto parcialmente a outro também em branco não quer dizer nada. Desenhar a), b) e c).
.07. Um círculo em branco ao ser totalmente preteado quer dizer CLASSE VAZIA. Mostrar que S e P em .06. b) estão vazios, 1) só com figuras; 2) só com letras; 3) com figuras e letras ao mesmo tempo.
.08. Um simples ponto (.), isto é, um x, num círculo em branco quer dizer que há pelo menos (pode haver muitos, mas nunca exaustivamente) elementos neste círculo, ou classe, seja S ou P. Desenhar dois círculos mostrando isso.
.09. O preteamento total ou parcial num círculo a) sozinho, ou b) sobreposto a outro, mostra a ausência que pode também ser ESCRITO por meio de letras com traço sobrescrito. Desenhar círculos mostrando isso.
.10. A letra x mostra a presença de pelo menos um elemento (podem ser muitos, mas nunca exaustivamente). Mostrar como se representam com cois círculos e com letras a proposição: Algum P é S. (Alguns psicanalistas (S) são estudiosos (P).
Agora, dá para começar a 1) enunciar com palavras as quatro proposições categóricas típicas; 2) representá-las por meio de círculos de Venn; 3) representá-las por meio de letras; 4) representa-las por meio de círculos de Venn e por meio de letras ao mesmo temp.
A PROPOSIÇÃO que é a UNIDADE, MONDADA do discurso compõe-se de S e P relacionados pela CÓPULA. O SILOGISMO que é a UNIDADE, MÓNADA da ARGUMENTAÇÃO LÓGICA compõe-se três PROPOSIÇÕES (duas premissas e uma conclusão) relacionadas pelo TERMO MÉDIO (M), pelo TERMO MAIOR, T, e pelo TERMO MENOR (t).  Cuidada que os termos da PROPOSIÇÃO são S e P e os termos do SILOGISMO são M, T e t.
Embora se insista que uma PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA TÍPICA se determina pela sua QUANTIDADE e pela sua QUALIDADE, o estudo da relação das quatro PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS TÍPICAS não avança muito se não se tiver presente o que significa a DISTRIBUIÇÃO do S ou do P em A, E, I e O, respectivamente. 

Um comentário:

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