quinta-feira, 24 de março de 2011

Mais estudos sobre costumes, hábitos e atos (Começando com o hábito da inveja)

Mais estudos sobre costumes, hábitos e atos


Por jlcaon@terra.com.br



A preguiça é a forma mais sutil e mais dissimulada com a qual o brasileiro em geral se entrega soberbamente à inveja



Costumes, hábitos e atos são comportamentos ou condutas que se usam em nossas relações com o mundo-ambiente, com as pessoas ou com a gente mesmo.

Os exames desses comportamentos ou condutas implica análises. As análises, por sua vez, implicam busca, observação e coleta de dados. Os dados coletados, enfim, implicam descrição e ordenamento numa disposição mínima tal que permita alguma classificação.

Tudo isso se mostra e demonstra por meio de práticas que melhormente são obtidas quando realizadas com algum método.

No momento, retomo uma prática que sempre exerci: a prática de esclarecer os comportamentos ou condutas humanas.

Nos estudos e tratados dedicados a esse tema, há um capítulo que recolheu muitas informações e estudos do passado e se implantou, primeiramente, nos tempos da Idade Média e, atualmente, continua sendo frequentemente revisitado, aprofundado e renovado. Trata-se do “CAPÍTULO DAS PAIXÕES FUNDAMENTAIS também conhecidos como ‘CAPÍTULO DOS PECADOS CAPITAIS”. Observe-se que a expressão “pecados capitais” é apenas mais um rótulo para aquilo que sempre, bem antes dos fundamentalistas, e atualmente, os pensadores chamavam de paixões, padecimentos ou passivamentos da mente.

A história da lista dessas paixões fundamentais é muito curiosa. Evitarei sempre o rótulo perverso “pecados capitais”, pois que as paixões humanas são energias de que dispomos e o que nos torna felizes ou infelizes é o bom ou mau uso que delas fazemos. Penso que é desmiolado identificar as paixões humanas como desregramentos, pura e simplesmente. Elas, na verdade, são como nosso energia elétrica: podemos aquecer-nos com ela no frio, refrigerar-nos com ela estio, isto é, fazer-nos bem ou mal com ela. As paixões humanas, como a eletricidade, dependem do uso que delas fazemos.

Bem antes do cristianismo, e entre os gregos podemos citar a Aristóteles, havia estudos e tratados sobre as relações com os outros, isto é, tratados sobre a civilidade ou cidadania que se chama POLÍTICA (Política é a ciência das cidade, da urbe e dos cidadãos) e PAIDEIA (Paideia é a ciência da cultura e do cultivo das nossas paixões, paixões que nos colocam em contato com o meio-ambiente, com os outros e com a gente mesmo).

Esses estudos e tratados foram e ainda são retomados, aprofundados, desenvolvidos e rotulados por pensadores das agremiações clericais ou laicas dos diferentes monoteísmos e também por pensadores originais e independentes. Os pensadores das agremiações clericais ou laicas dos monoteísmos comparecem com o pensamento próprio, mas, via de regra, hipotecado, fato que os mantém infantilizados, repetitivos e alienados, perante novas descobertas feitas por pensadores mais independentes, como Freud, Melanie Klein, Lacan, etc. Havermos de ver algo disso, por exemplo, no exame da paixão humana conhecida como “inveja”.

Os pensadores passados e presentes, em geral, concebem a civilidade ou a cidadania, enfocadas sob os títulos de POLÍTICA ou PAIDEIA, como ideais dos povos.

Todavia, esses ideais podem e de fato são constantemente obstaculizados pelas próprias energias psíquicas ou mentais, abalando, dessa forma, o seu bom uso. Isto é, aquilo que poderia ser FELICIDADE no bom uso das paixões humanas torna-se FELICIDADE no mau uso dessas paixões.

A INFELICIDADE no bom uso das paixões humanas é também freqüente, especialmente nessas propostas político-pedagógicas segundo as quais é preciso infligir-se sacrifícios, penas e sofrimentos para se obter alguma virtude!

O curioso é a INFELICIDADE no mau uso das paixões humanas, como quando, numa certa maneira de lidar com a inveja, o invejoso se infelicita para infelicitar o outro. É o clássico exemplo daquele compadre invejoso que, tendo sido agraciado por um gênio, o qual lhe concedera a graça de realizar irrestritamente um desejo, sob a condição de que o prêmio obtido seria dado em dobro ao compadre invejado, resultou no seguinte: o compadre invejoso disse ao gênio: “Quero que me seja arrancado um olho!”

As paixões fundamentais não são somente sete nem oito: são inumeráveis. Portanto, qualquer lista delas será sempre uma lista aberta. De qualquer fora, não há pessoa que não seja aquinhoada com todas essas paixões ou energias: umas sendo mais ricas num tipo, como soberba/vaidade; outras, num outro, como a ira/melancolia; outras em outro, como, a avareza/dissipação; outras, ainda em outro, como sensualidade ou luxúria; preguiça; gula, etc.

O estudo de uma dessas paixões básicas implica o estudo de todas as demais. Assim sendo, qualquer estudo por mais extenso e aprofundado que seja será sempre incompleto. Mas, por algum lugar e por uma delas há que se começar.

E assim podemos partir com uma dessas paixões que é considerada uma princesa – claro, isso é exagerado! – das paixões humanas. Trata-se da inveja.

Dante Alighieri dedicou dois capítulos, o 13 e o 14 do Purgatório, à Inveja. Como se sabe, Dante escreveu três grandes poemas: O Inferno, com 33 capítulos; o Purgatório, com 33 capítulos; o Paradiso, com 33 capítulos. E os 99 capítulos mais o capítulo único, introdutório aos três poemas, resultam em 100 capítulos.

O Purgatório, na visão poética de Dante, é um Monte que estaria cravado no Hemisfério Sul, enquanto que a boca do Inferno estaria aberta no Hemisfério Norte. No topo do Monte Purgatório, encontra-se o Paradiso Terrestre, aquele que foi o Éden transitório do mito Adão-Eva dos quais até agora não se encontrou o túmulo... E depois do Paradiso Terrestre no topo do Monte Purgatório, abre-se o Paradiso Eterno... que Dante também visitou antes de morrer...

Tanto o Éden, do mito hebraico-cristão, como o Purgatório dos cristãos, são concebidos como transitórios. Todavia, o Éden é concebido como coisa terrena e transitória; o Purgatório, como coisa transitória, dentro da eternidade. Si non è vero è bene trovato, caro Dante.

Por sua vez, o Monte Purgatório de Dante é repartido em três estágios: o primeiro estágio do Ante-Purgatório, Capítulo 01-09; o segundo estágio do Purgatório propriamente dito: Capítulos 10-27; o terceiro estágio do Pós-Purgatório, ou Paradiso Terrestre: Capítulos 28-33. Os giros em torno do Monte Purgatório aparecem no Purgatório propriamente dito e são sete, segundo Dante, uma para cada uma das sete paixões fundamentais listadas por ele, onde são purgadas e dissipadas as excrescências resultantes do mau uso das paixões.

Quando Dante sobe ao Primeiro Giro do Purgatório propriamente dito, o Giro dos Soberbos, ele está com sete “P (pecados), marcados na testa, marcas que um Anjo lhe escrevera ainda na subida pelo Ante-Purgatório. À medida que Dante vai passando de um Giro para outro, um dos “P”, vai sendo apagado. Imaginação simpática e poética em Dante é coisa constante.

O Sétimo e Último Giro do Purgatório propriamente dito, o Giro mais perto do Paradiso Terrestre, é o Giro onde estão os sensuais e luxuriosos, os que estão mais próximos do Paradiso... Sabendo que os Giros do Purgatório propriamente dito estão ordenados a purgar as poluições de cada uma das sete paixões fundamentais, essas escalonadas a partir das mais graves para as menos graves, não é de se surpreender que, para Dante, a mais grave é a soberba/vaidade/arrogância, etc., e a última, a menos grave, seja a luxúria, a sensualidade, enfim, a sexualidade?

No fim do século passado e atualmente, são muitas as iniciativas de publicações sobre as paixões fundamentais humanas. A Editora Objetiva entregou a sete escritores a tarefa de cada qual escrever respectivamente sobre uma delas. Coube a Zuenir Ventura escrever sobre a inveja, que ele também chama de “mal secreto”, título que Raimundo Correa dera a um soneto: http://www.revista.agulha.nom.br/raimun15.html

No campo da pesquisa psicanalítica, o estudo mais extenso sobre a inveja é de Melanie Klein. Ela diferencia a inveja do ciúme e a inveja da voracidade. A inveja é diferente do ciúme, pois que no ciúme há um triângulo, isto é, o ciumento enfrenta-se com duas pessoas. A invejoso enfrenta-se somente com uma pessoa. Ora, a voracidade também. Então, em que radicalmente o voraz (edaz) difere do invejoso? O voraz apropria-se da bondade do outro até secá-lo, mas não o destrói. O invejoso não se apropria da bondade do outro: destrói a bondade do outro ou destrói o outro. Isto é, destrói os ovos da galinha dos ovos de ouro ou destrói a própria galinha com ou sem os ovos de ouro. A bondade dos outros faz infeliz o invejoso. Desgraça pouca.

Ora, se a inveja é causadora de tanta infelicidade, certamente ela, como a energia atômica, é muito poderosa. Como tirar proveito desse energia que, quando não cuidada, irrompe e desgraça a vida da pessoa, ou momentos importantes da pessoa?

São muito raros os textos que buscam além das manifestações desgraçadas da inveja as raízes poderosas dessa energia. Quando eu escrevi sobre o livro de Zuenir Ventura, eu o criticava por ele não ter elevado sua pesquisa jornalística ao campo do desejo. Ele evitou conceber a inveja enquanto pecado, mas não conseguiu ver a inveja a não ser como emoção ou sentimento negativos. Ficou na ideologia! Se há inveja é porque há desejo! O invejoso protege-se do próprio desejo por meio da inveja. De fato, o invejoso jamais suportaria produzir ou desfrutar a bondade que ele vê no outro. Mas, desejaria! Todavia, esse desejo lhe é tão insuportável e tão penoso que ele em ficando com a pena e o sofrimento prefere ver o desejo próprio na produção e bondade do outro. Entregar-se ao desejo é bem mais mortificante do que se mortificar por meio do mal-estar contemplando a bondade e a fruição dessa bondade no outro. Goethe genialmente dizia: perante a excelência do outro, só resta o amor. Ou a inveja, eu concluo. Pareceria que Melanie Klein quer nos dizer que a gratidão uma aproveitamento de nossa energia psíquica ou mental energia feliz que de outra forma seria energia transformada em inveja. Todavia, isso não é coisa de bons propósitos nem de boa pedagogia!!!

Pois, num texto, de Salvatore Agresta, a inveja é resgatada. A fumaça que arde nos olhos é a manifestação de uma energia de processo psíquico que pode não se deteriorar. Esse texto aparece no site seguinte:

http://www.rivistaimpronte.it/index.php?option=com_content&view=article&id=141:linvidia-necessaria-argomenti-a-difesa-di-un-sentimento-rimosso&catid=123:area-umanistica&Itemid=77

Eu o trago agora abaixo para apreciação de todos. Assim, exemplos, piadas, ditos, figuras, etc, sobre a inveja são contribuições que todos têm à mão, mas que é preciso fazer circular. Cão que não ladra, não morde? Não. Cão que não ladra só pode estar sofrendo de inveja!





L'invidia necessaria. Argomenti a difesa di un sentimento rimosso

La rimozione dell'invidia

La cautela con cui ho proceduto nell'argomentare sull'invidia è pari alla forza di rimozione messa in atto nei confronti di questo sentimento. Ho voluto invece leggere l'invidia come sentimento che umanizza l'animale-uomo consentendo la rappresentazione dell'odio in luogo dell'omicidio, l'imitazione in luogo dell'aggressione. Mai sentimento umano è stato più frainteso e vilipeso quanto l'invidia: mi pare invece che essa svolga in sé una funzione protettiva della mente all'interno del processo di individuazione, funzione che non ne preveda necessariamente la trasformazione in gratitudine. La rimozione dell'invidia va allargata all'intera storia delle idee, psicoanalisi inclusa: basti pensare al minimo spazio che Freud le riserva collegandola al vissuto femminile di invidia del pene, lacuna opportunamente colmata da Woody Allen che ha provveduto ad estenderne il vissuto anche ai maschi; o a Melanie Klein che teorizzando l'invidia primaria scrive feeling intendendo pulsione e non sentimento. Il disconoscimento dell'invidia è millenario anche se l'iniezione letale è stata somministrata dalla teologia cristiana, la quale senza mezzi termini fa di Satana in persona il re dell'invidia (ma questa attribuzione è troppo facile, quel demonio ce le ha proprio tutte…). Per costituzione, sono portato a difendere la vittima prescelta, o quantomeno a dubitare di ogni ostracismo: e l'ostracismo subito dall'invidia è spietato. Come tanti altri aspetti della natura umana, anche l'invidia ha subito nei secoli il lento lavorio erosivo che ne ha cancellato la funzione: la tradizione ebraico-cristiana la considera radice della catastrofe umana. Più sottile è invece Tommaso D'Aquino che vede nell'invidia un fondo di dolorosa tristezza, un'afflizione dell'animo, per cui "l'invidia, essendo una tristezza, non procede dalla libidine, che è desiderio del piacere"; perciò, l'invidia "fa diminuire l'azione, che giunge a compimento per mezzo del piacere". La speciale dialettica tomista, che procede per questioni e obiezioni, deve poi riconoscere all'invidia "una certa libidine", in quanto la tristezza sarebbe a sua volta causata da una qualche forma di desiderio o piacere (ma per affermare ciò si rende necessario il ricorso all'ideologia del male come privazione di bene originario); in questo modo, l'impalcatura tomista può riconoscere nell'invidia anche un'azione che "muove ad operazioni che ostacolano il bene del prossimo", operazioni che però non appaiano francamente aggressive (la psichiatria contemporanea le definirebbe passivo-aggressive). Mi pare quindi che nell'interpretazione di Tommaso d'Aquino prevalga un'idea dell'invidia come vizio portatore di pena piuttosto che di colpa: la pena è male del corpo, mentre la colpa è male dell'anima. L'invidia è sì un vizio capitale, ma svolge nel contempo una funzione protettiva di uno psichismo che necessita di argini interni al montare del desiderio. Senza la mediazione dell'invidia, decade la necessaria distanza che mi separa dell'altro mantenendo la distinzione tra la mia interiorità non vista (si invidia in silenzio, nascostamente) e quella dell'altro, la quale si pone così come immagine speculare del mio desiderio.

Invidiare è desiderare il desiderio dell'altro

L'essere umano è la creatura che ha perduto una parte del suo istinto animale per accedere a quel campo abbandonato (la definizione è di Lacan) che si chiama desiderio. Ma è un desiderio svuotato di istinto, per cui si desidera ardentemente senza sapere con esattezza che cosa: invidiando ci orientiamo in questa mancanza giacché, come scrive Girard, "per desiderare veramente, noi dobbiamo ricorrere agli esseri umani che ci circondano, dobbiamo prendere in prestito i loro desideri". Nel pensiero di Girard il desiderio è sempre desiderio mimetico: qui bisogna restituire a Freud quel che è di Freud (ancora una volta, non possiamo non dirci freudiani), rileggendo qualche riga tratta da Psicologia delle masse e analisi dell'Io : "il maschietto manifesta un interesse particolare per il proprio padre, vorrebbe divenire ed essere come lui, sostituirlo in tutto e per tutto. Diciamolo tranquillamente,egli assume il padre come proprio ideale. Questo comportamento non ha nulla a che fare con un atteggiamento passivo o femmineo nei riguardi del padre (e del maschio in generale): esso è anzi squisitamente maschile. Si accorda benissimo con il complesso di Edipo, che contribuisce a preparare". Ecco l'origine dell'invidia come desiderio dell'altro: Freud non la nomina ma la descrive con precisione, evidenziandone anche l'aspetto funzionale ("contribuisce a preparare"). Per questo motivo l'invidia è sempre legata alla cecità - la radice stessa della parola invidia lo lascia intendere - non in quanto punizione della colpa, bensì come condizione esistenziale: l'invida non acceca, piuttosto è reazione alla cecità. L'invidia ci guida come ciechi rabdomanti in cerca di desideri, rendendoci in questo modo umani: le nostre discordie incessanti sono il prezzo pagato per essere capaci di desiderare. Tutti noi sappiamo bene che l'identità si costruisce a partire dai conflitti, dalla discordia che scava il solco divisorio tra sé e l'altro. L'odio invidioso è il primo motore di questa spinta di individuazione, a patto che sia riconosciuto come tale e soprattutto come proprio: in caso contrario, si tratterebbe di pura azione, di violenza, di attacco al legame. È quello che accade prima o poi nella stanza di analisi, laddove l'analista diviene oggetto di attacchi invidiosi da parte dell'analizzando, con questa precisazione: in quel momento, quando l'analizzando odia, quando invidia, non sa di stare odiando, non sa di stare invidiando. Bion, in Attacco al legame parla kleinianamente di "predisposizione congenita all'aggressività, all'odio e all'invidia in misura eccessiva", odio e invidia che in casi estremi si trasformano in voracità che finisce per divorare la mente stessa. Una spiegazione che non soddisfa appieno, così come l'interpretazione kleiniana mi pare non cogliere al fondo la specificità dell'invidia. La domanda a questo punto è: di quale invidia stiamo parlando? Nell'originale inglese M. Klein scrive feeling intendendo non il sentimento bensì il confine tra il somatico e lo psichico. L'origine dell'invidia per M. Klein è nelle fonti orali, uretrali e sadico-anali, come declinazione dell'odio collegata a doppio filo alla gratificazione: ma questo non è sentimento, questa è pulsione. L'oggetto-seno è invidiato da subito non perché carente ma perché troppo ricco: il seno kleiniano non è l'oggetto verso il quale si dirige l'invidia, esso è piuttosto il prototipo della bontà, è il Bene in astratto; mentre la pulsione invidiosa è il Male in astratto che nasce con la perdita dello stato paradisiaco originario. Tra le pieghe del pensiero di M. Klein si intravedono quelle che Quinzio chiama "radici ebraiche del moderno", e d'altra parte basta rileggere Invidia e gratitudine per scorgervi passi e citazioni di natura biblica.

Il pensiero kleiniano non riconosce la caratteristica distintiva dell'invidia- sentimento, il cui vero oggetto è il desiderio dell'altro. A questo proposito, Lacan è chiaro come poche altre volte nell'indicare quella che considera vera invidia: "tutti sanno che l'invidia è comunemente provocata dal possesso di beni che non sarebbero, per chi invidia, di alcuna utilità, e di cui non suppone nemmeno la vera natura. È questa la vera invidia. Essa fa impallidire il soggetto di fronte a che cosa? Di fronte all'immagine di una completezza che si chiude su se stessa". Anche Lacan, come Tommaso d'Aquino, rievoca l'immagine proposta in Agostino del lattante invidioso che "guardando livido con sguardo torvo invidia il suo compagno di latte" (notiamo l'insistenza sullo sguardo). Va bene, il bambino guarda ma, aggiunge Lacan, "chi ci dice che abbia ancora bisogno di attaccarsi alla mammella?". In Cogitations Bion si toglie l'uniforme kleiniana quando scrive: "l'invidia fornisce un contributo alla convinzione che gli oggetti esterni siano il pensiero del paziente. Poiché non può ammettere di dipendere da un oggetto esterno, il paziente pretende di essere (per poter sfuggire, alla fin fine, al sentimento dell'invidia) come un seno che si nutre da sé, il produttore come pure il consumatore di ciò da cui dipende per questa sua vit ". Pongo l'attenzione sulla prima frase, quella che sottolinea la convinzione che gli oggetti esterni siano il pensiero del paziente: l'attacco invidioso non è diretto verso un oggetto o una struttura (l'Io o il seno materno) bensì alla relazione, è un "attacco al legame" che presuppone la realtà della relazione. Qui anche per Bion l'invidia è confusione/aderenza tra il mio desiderio e quello dell'altro. Il sentimento d'invidia, se guardato con attenzione, si rivela un miraggio: nell'altro - nel desiderio dell'altro - vedo un'immagine di completezza, di autosufficiente consistenza da cui io sono escluso. È questa la domanda, se vogliamo capire l'invidia: abbiamo davvero bisogno di ciò che invidiamo? Per la teoria kleiniana la risposta è si, l'invidia è questione di vita o di morte. Per Lacan, ma anche per Bion, la risposta è no, non invidiamo ciò di cui abbiamo davvero bisogno, bensì ciò di cui crediamo di aver bisogno nel momento che lo vediamo desiderare dall'altro. L'invidioso non desidera qualcosa che l'altro possiede in sé, quanto piuttosto incontrando il pieno di desiderio dell'altro fa i conti col suo proprio vuoto di desiderio. Ma proprio in questo movimento interno poggia la funzione costruttiva dell'invidia: dal momento che la si prova, essa dispone già dello spazio mentale sufficiente al proprio superamento.

Al di qua dell'invidia

Dov'è che l'invidia è assente? Laddove l'elaborazione simbolica non c'è o difettosa. È qui che emerge il godimento immaginario, è a questo punto che il desiderio sfonda il limite del godimento e si converte nel suo contrario, in perversione e in desiderio di morte. Lacan rende ancora una volta bene l'idea parlando dell'asse immaginario come qualcosa che si mette di traverso rispetto all'asse simbolico, un ostacolo o una barriera all'elaborazione simbolica: un ostacolo all'invidia. Non vi è traccia di invidia in Sade, non ve n'è nel dottor Lecter: l'orrore della violenza non ha mai la pura invidia tra i suoi moventi. Nel film Seven l'assassino seriale uccide lasciando sulla scena del delitto indizi che segnalano le sue intenzioni: ogni vittima impersona uno dei sette vizi capitali. Si inizia con l'Avarizia, un ricco avvocato senza scrupoli; poi la Gola, un obeso bulimico; una prostituta, la Lussuria; l'Ignavia, un piccolo pusher tossicomane; una bella modella, l'Orgoglio. Sono cinque: ne mancano due, l'Ira e l'Invidia. A questo punto, colpo di scena: l'assassino si costituisce, naturalmente si tratta di un folle fondamentalista. Sembra finita. Sembra. Invece, manca il meglio: il pazzo dice di aver ucciso altre due persone, per provarlo chiede di essere accompagnato dal detective - rivale, doppio speculare - in una zona desertica ove aspettare il compimento della sua opera. Qui arriva un postino per consegnare uno strano pacco, il detective lo apre e scopre la sesta vittima: la testa della sua giovane moglie, che l'assassino ha decapitato prima di costituirsi. Epilogo: questa – dice il folle – è la punizione per il tuo peccato e il tuo peccato è l'Ira. Ora puoi uccidermi, giacché anch'io sono un peccatore: provo Invidia per te, per la tua bella famiglia . Fuoco, fine del pazzo, fine simbolica del detective (resta vivo, ma rovinato e segnato per sempre). Nota bene: l'assassino non uccide il rivale oggetto della sua invidia, ma si accanisce direttamente sull'oggetto del desiderio dell'altro, divenuto oggetto del suo proprio desiderio (la bella moglie del detective). Né il killer si suicida, cosa che apparirebbe più logica nel folle disegno: egli stesso è colpevole d'invidia. Ma non può farlo, perché è la lussuria e non l'invidia il movente del suo sesto delitto: accanendosi sulla giovane e bella donna l'assassino ha consumato tutto il suo desiderio/godimento. Come si vede ricontando, la lussuria ha ucciso due volte e l'invidia è innocente. Giacché il desiderio/godimento è perdita della mediazione dello psichismo, soltanto spingendosi al di là dell'invidia si rende possibile l'inseguimento di quella che Lacan chiama la Cosa originaria non sottoposta alla Legge simbolica. La Cosa vuol dire che la soddisfazione, quella vera, quella pulsionale, non si incontra né nell'immaginario né nel simbolico, perché è fuori da ciò che è simbolizzato, è piuttosto nell'ordine del reale. Tale Cosa non è più invidiabile perché non è protetta dall'ordine del simbolico (la legge) né da quello dell'immaginario (l'ideale che fa da barriera alla Cosa). La Cosa è reale e quindi non è più di nessuno, non ci sono barriere alla forzatura del godimento: solo a queste condizioni è possibile infierire.

Per nostra fortuna, l'invidia prospera nella terra di mezzo tra desiderio e godimento, laddove prende forma il teatro delle passioni umane magnificamente descritto da Shakespeare, e che non a caso Girard chiama "teatro dell'invidia". L'invidia protegge dal godimento al di là del bene e del male: l'altrui bellezza è invidiabile, la contemplo come assoluta forma in sé e così facendo mi proteggo della Cosa reale – la sua riduzione a membra da possedere, una volta sfondato il limite del desiderio/godimento. È questo che ossessivamente ci mostrano i film di Lynch, ad esempio in Lost Highways nella scena in cui l'occhio della telecamera inquadra il bellissimo volto dell'amata, volto che man mano che procede l'avvicinamento svela ombre, rughe, venature prima non visibili, fino a mostrare in un'aderente inquadratura finale tutto l'orrore possibile. È quindi bene che il prossimo rimanga bello e impossibile, inaccessibile seppure invidiabile (o meglio, inaccessibile proprio perché invidiabile): per questo in tutte le culture i principali divieti riguardano sempre gli oggetti più vicini (prossimi); per questo il comandamento dice lacanianamente "non desiderare la roba d'altri" e non dice kleinianamente "non invidiare chi possiede la roba", giacché solo invidiandolo potrai non ucciderlo.



Bibliografia

Bion W. R. (1957), Analisi degli schizofrenici e metodo psicoanalitico, Armando, 1994.

Bion W. R. (1992), Cogitations, Armando, 1996.

Freud S. (1921), Psicologia delle masse e analisi dell’Io, in Opere 9, Bollati Boringhieri, 1989.

Girard R. (1972), La violenza e il sacro, Adelphi, 1980.

Girard R. (1990), Shakespeare. Il teatro dell’invidia, Adelphi, 1998.

Klein M. (1957), Invidia e gratitudine, Martinelli, 1969.

Lacan J. (1956-1957), Il seminario. Libro IV. La relazione d’oggetto, Einaudi, 1996,

Lacan J. (1959-1969), Il seminario. Libro VII. L’etica della psicoanalisi, Einaudi, 1994.

Lacan J. (1964), Il seminario. Libro XI. I quattro concetti fondamentali della psicoanalisi, Einaudi, 1979.





Salvatore Agresta

Via Rosati, 3

64100 Teramo





Neid: invidia est tristitia de prosperitate alicuius, 1 met. 3 e; pertinet ad invidiam, quae tristatur de bono alieno, inquantum est impeditivum propriae excellentiae, th. I. II. 84. 4 c; vgl. ib. 35. 8 c; I. 63. 2 c; II. II. 36. 1-4; cg. I. 89; mal. 10. 1-3; invidia ponitur vitium capitale, th. II. II. 36. 4 c.

• Zu zelus invidiae → zelus sub a.

• Arten der invidia sind: invidia fratris & i. fraternae gratiae (2 sent. 43. 1. 3 ad 6) = der Neid über den Bruder und der über die Gnade des Bruders (invidia potest esse duplex, quaedam, quae est de prosperitate vel exaltatione hominis, et quaedam, quae est de exaltatione gratiae, sicut quod multi ad Dei gratiam convertuntur vel aliquid huiusmodi, et talis invidia solum est peccatum in Spiritum sanctum, non quidem invidia fratris, sed invidia fraternae gratiae, ib.).

• Filiae invidiae d. i. Sprösslinge des Neides sind diese fünf: afflictio in prosperis proximi (Missgunst), detractio (Ehrabschneidung oder Verkleinerung), exsultatio in adversis proximi (Schadenfreude), odium (←) und susurratio (Ohrenbläserei); vgl. th. II. II. 36. 4 ob. 3 & ad 3; mal. 10. 3 c.



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