quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Uma iniciação ao instante de ver o tempo de compreender e o momento de concluir (encerrar) o tempo de compreender.




O TEMPO LOGICO DO RACIOCÍNIO SILOGISTICO QUE INCLUI O RACIOCINADOR,
OU DE UMA PESQUISA DA MENTE QUE INCLUI O PESQUISADOR

         Porto Alegre, setembro 1989-agosto 2009.

         Advertência ao leitor: O texto de Lacan, “O tempo lógico de asserção de certeza antecipada” serve-se de problema, onde aparecem três detentos e cinco etiquetas, três brancas e duas pretas. Isso tem oferecido muitas dificuldades de estudo e de aprendizagem, hipocritamente dissimuladas, chegando-se ao ponto de se dizer que o tempo lógico da duração das sessões dos tratamentos psicanalíticos nada têm a ver com essa lógica nova que Lacan acrescenta à lógica clássica.
         Nathalie Charraud diz: “Esse artigo traz uma aquisição e um carência teóricas. 1) A aquisição é a formulação desses três tempos, que encontramos ao longo dos ESCRITOS =[e SEMIINÁRIOS] e que terá um papel teórico e técnico essencial. As  análises dos textos ‘Intervenção sobre a transferência’ e ‘Seminário sobre a carta roubada’, apoiam-se, com efeito, sobre essa estrutura, e se apoiam também, sobre essas estrutura, as discussões sobre a duração das sessões e sobre o término de uma psicanálise. || 2) A carência teórica refere-se à ‘mensuração comum’ (commune mesure) do tempo lógico. O termo de ‘intersubjetividade’, tomados da fenomenologia, virá provisoriamente completar essa concepção nos artigos =[e Seminários] dos anos de 1953-1956. Em Função e campo da fala e da linguagem e O seminário sobre a carta roubada, esse conceito se torna um pouco pau para toda obra acompanhando frequentemente as numerosas referências de Lacan à teoria dos jogos.” (in Lacan et les mathématiques, p. 15)

         Antes de retomarmos o estudo e aprendizagens desse texto lacaniano, proponho, como propedêutica e protréptica, o mesmo problema, mas com dois detentos e três etiquetas.
        

Era uma vez dois prisioneiros. O diretor da prisão propôs-lhes um problema. Quem resolvesse o problema, ficaria livre da prisão. A resolução do problema não poderia fundar-se em argumentos prováveis, mas somente em argumento lógicos, certos, imbatíveis.
O problema foi o seguinte: o diretor tinha três etiquetas, duas brancas e uma preta. Grudou uma etiqueta nas costas de cada um dos dois prisioneiros e escondeu a outra.
Partindo da observação de um pelo outro, reciprocamente, cada um dos dois detentos deveria deduzir a cor da etiqueta grudada nas costas de si mesmo.
         As possibilidades logicamente são duas e não mais do que duas, a saber:
         .01 - um tem etiqueta branca e outro tem etiqueta preta;
         .02 - um tem etiqueta branca e outro tem etiqueta branca.


         RACIOCINIO PARA A PRIMEIRA POSSIBILIDADE.

         Nenhum dos dois sabe a cor da etiqueta presa nas próprias costas.
         Aquele que vir que o outro porta etiqueta preta, concluirá (imediatamente, instantaneamente, em cima do instante do olhar, sem hesitação) que necessariamente ele próprio está portando etiqueta branca nas próprias costas.
         Esse primeiro tempo é tempo, ao mesmo tempo, tempo do instante do olhar e tempo do tempo de concluir, sem ter que passar pelo tempo do tempo de compreender.
         Todavia, aquele que vir etiqueta branca nas costas do outro, poderia hesitaria, mas, nem tem tempo para tanto, pois o outro, chegado à certeza instantaneamente, parte para a direção do diretor da prisão.
Só poderia concluir algo a partir da hesitação do outro. Mas, esse outro não hesitou. Logo, o portador de etiqueta preta, nessa situação, chega tarde e bailará...


         RACIOCINIO PARA A SEGUNDA POSSIBILIDADE.

         Os dois portam etiqueta branca nas costas. Tanto um quanto o outro, ao ver que o outro porta etiqueta branca, haverá de hesitar. Mas, logo em seguida, por causa da hesitação simultânea e recíproca, cada qual compreenderá simultaneamente, que porta etiqueta branca nas costas. É o tempo segundo, o tempo de compreender. Passado o primeiro tempo, instante do olhar, a hesitação entra no jogo. E aqui a hesitação é hesitação que gera certeza e certeza solidária e global, isto é, aqui, a hesitação recíproca gera certeza!
         O tempo de concluir e o tempo de compreender dão-se simultaneamente.
        
         RETOMANDO O RACIOCINIO DA PRIMEIRA POSSIBILIDADE. Suponha que tu és o portador da etiqueta branca.
         Concluíste que tens etiqueta branca nas costas. Estás salvo! Corres para anunciar ao diretor da prisão o raciocínio empírico fundado na observação direta e imediata. (O outro detento ao ver que tu sais em disparada e sem duvidar nem hesitar, sem te angustiares, sem sofreres nenhum impasse e nenhuma perplexidade, poderá sair em disparada também, mas, tarde demais. Só faltaria ele te ganhar no fôlego e na corrida! Mas, para tua garantia, isto não conta no tempo lógico. Tempo cronológico, durabilidade na prática, essas coisas não passam de tempo astronômico, isto é, tempo linearmente medido. Mas, tempo lógico não é mensurável com o metro chamado cronômetro, ou relógio! Sacou? Tempo lógico ou é ou não é: não é curto nem longo. Não demora para passar nem passa depressa!

         RETOMANDO O RACICINIO DA SEGUNDA POSSIBILIDADE.
         Necessariamente tens etiqueta branca nas costas. Tu hesistaste e não pudeste concluir nada ao teres visto a etiqueta branca nas costas do outro. Mas, viste num segundo momento a hesitação, suspensão e adiamento do outro! Ao tempo do instante do olhar acrescentas o tempo do momento de compreender. Aqui, a dúvida, a hesitação, a angústia, o sofrimento perante o impasse e a perplexidade te salvaram e salvaram o outro, igualmente, ao mesmo tempo e reciprocamente, solidariamente. Ambos fazem este raciocínio: "Se o outro tivesse visto etiqueta preta nas minhas costas, teria concluído instaneamente que ele só poderia ter etiqueta branca. Mas, como não concluiu instantaneamente, pelo contrário, se deteve, hesitou, duvidou, ficou perplexo, se angustiou com o impasse, então não viu etiqueta preta nas minhas costas. Então tenho etiqueta branca nas minhas costas!" 

        
         CONCLUSÃO  PARA OS PESQUISADORES.

         As pesquisas de controle estatístico não angustiam nunca, a não ser quando o fato não cai no limbo do coeficiente da ignorância, isto é, no coeficiente estatístico, ou margem de erro. Isto é, às vezes, os pesquisadores se angustiam quando a hipótese, a famosa hipótese, tão ciosamente e raciocinicamente antecipada, vem correr perigo! Mas, isto pode ser remediado ao se controlar e forçar o controle das variáveis intervenientes, essas miseráveis intrusas, principalmente quando são do campo da subjetividade, ou formações do inconsciente! Ora, na pesquisas de controle estatístico tudo aquilo que cai na porcentagem de erro ou coeficiente da ignorância ou que é interveniente, tudo isso é descartado, pois que é incontrolável, inantecipável, surpreendente. Assim, tudo fica bem!
         E, como nas leis normativas, se tu não te adeqúas à lei-norma, quem vai mudar não é a lei, serás tu, ficando na possibilidade de seres bem controlado até à possibilidade da expulsão, excomunhão, banimento, morte. Não é assim que se busca e se mantém o poder e sua verdade? Que dizer dos que pesquisam a mente e descartam a sujeitidade e a subjetividade? Ou a tomam como impostora, distorcionadora, viés impuro?
         Mas, a subjetividade na pesquisa, tanto a do pesquisador quanto a do outro, são elementos lógicos para a descoberta da verdade. Não é verdade, pois, que fica demonstrado que a verdade subjetiva é elemento de avanço e não de percalço na pesquisa da mente?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Preparando para um problema que fascinava a Lacan:


Preparando para um problema que fascinava a Lacan:
Um vendedor de pérolas recebeu de encomenda oito pérolas, todas com o mesmo tamanho e cor. Porém, uma delas é um pouco mais leve do que as outras.
Como dá para encontrar a pérola mais leve, usando somente duas vezes uma balancinha de dois pratos?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Fideístas e cientístas


Fideístas versus cientistas

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- “Estafermo é exato como uma máquina, melhor, Estafermo é uma máquina”, disse Menipedro, respondendo à pergunta de Pascácia: “Que é que vocês acham do Estafermo?”
- “Estafermo trabalha para não pensar”, acrescentou Gioconda.
- “Como é que podem tratar assim uma alma de Deus?” continuou escandalizada Pascácia. “Estafermo é gente. Sei bem que ele é gente. Ele reza maquinalmente, sem entender o querem dizer as palavras das rezas dele. É como quando eu rezo em latim.”
- “Eu tenho a fé dum carvoeiro. Tenho muitas crenças, mas abro mão delas para ficar com a fé dum carvoeiro.”
Gioconda, vendo que eu ficara boquiaberto mais uma vez, pôs-se adivinhar em que eu estava pensando. E começou a dizer:
- “Louis Pasteur, enquanto cientista, acreditava com base em evidências empíricas. Mas, enquanto fideísta, acreditava, sem base em evidências.
- “E isso mesmo”, atalhou MeniPedro. “Um cientista muda de crença ou de fé, na medida em que os dados ou evidências provam o contrário daquilo em que acreditava ou tinha fé. Um fideísta jamais muda de posição! Danem-se os dados ou evidências empíricas!”
- “Estafermo é fideísta de verdade”, concluiu Pascácia. “É mais fideísta que eu que agora rego as plantas da horta como Gioconda. Estou tendo mais fé na água que dou às plantas do que nas rezas que faço para pedir chuva. Aonde é que vou parar com isso?”  
- “Freud é cientista e mudou sua teoria das pulsões em 1920” – fiquei pensando eu.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

TAMBÉM SE PODE ESCREVER EM VOZ ALTA...


TAMBÉM SE PODE ESCREVER EM VOZ ALTA

Por jlcaon@terra.com.br 121220510508
Dedicado a Carlos Karnas

Mesmo que já saibas que não és capaz de dizer tudo (quer falando, quer escrevendo, etc.), FALA tudo o que da cabeça te sai pela ponta da língua.
Mesmo que já saibas que não és capaz de dizer tudo (quer falando, quer escrevendo, etc.), DIGITALIZA tudo o que da cabeça te sai pela ponta dos dedos. 
Depois de termos falado, nunca mais seremos capazes de deletar o que temos falado; mas depois de termos digitalizado, sempre seremos capazes de deletar, rasurar ou endireitar o que temos digitado. 
Assim, é o contrário de “Verba volant, scripta manent” (as falas voam e os escritos permanecem) que deve ser verdade, isto é, “Verba  manent, scripta volant” (As falas permanecem e os escritos voam).
Falas inscrevem-se na folha do tempo, a qual, de presente e em tempo presente, desaparece no que aparece. Irrecuperáveis, as falas são  para sempre indeletáveis. Ninguém traz de volta o tempo que passou: virada a folha do tempo, não mais retornará. Some no instante em que aparece.
Escritos voam em diferentes velocidades das cartas pelo correio comum ou na velocidade da luz das cartas do correio eletrônico.
O método de escrever um quarto de mil palavras desenvolvido por Karnas, ao qual me submeti no início desse ano, é técnica competente. Quem se submeteu ou está se submetendo a ela, constata que não é em vão.
Acrescento aos avisados que também se pode escrever em voz alta...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um ensaio de ENSAIO sobre a envelheciência


Vivências intransitivas
e vivências intransitivas de vivências reflexivas.

Por jlcaon@terra.com.br (121114460411)

As vivências de nosso nascimento são vivências espontâneas e intransitivas. Elas precederiam as vivências reflexivas, isto é, precederiam o reconhecimento que fazemos dessas vivências intransitivas. Assim como nunca podemos sair do presente, - que além de ser tempo presente é sempre dádiva, - pois que ninguém morre no futuro nem no passado, assim também nunca podemos sair da vivência intransitiva e espontânea de nossa vida. Podemos fingir que estamos mortos ou semimortos. Mas, jamais podemos fingir que estamos vivos. Nem Fernando Pessoa poderia fingir que estava vivo!
Todavia, as vivências espontâneas intransitivas, sem o reconhecimento que podemos fazer delas, ficam NÃO-NASCIDAS. Todas as vivências intransitivas e espontâneas são da ordem de um saber que não se sabe, saber impossível de qualquer autoconhecimento. NÃO-NASCIDAS, ficam NÃO-NASCIDAS.
Criancinhas falecidas enquanto neonatas morreram sem ter ciência de terem sido gente. “Essas criancinhas são anjinhos”, ouvimos nas conversações do cotidiano.
Vivências intransitivas e espontâneas pelas quais passamos desde sempre que somos considerados gente, embora nem sempre tenhamos ciência de que somos gente, jazem não-nascidas apesar de nossa subjugação à fala da língua da comunidade em que se encontra nossa mãe, nem que essa comunidade seja composta apenas de duas pessoas: mãe e criancinha. Trata-se da comunidade de língua em que nossa mãe vive e fala, esse mar de voz que não é pura voz como o são as vozes dos pássaros, mas que é voz que desaparece enquanto voz para reaparecer em forma de falas, tipo tatibitate, protolíngua, língua definitivamente.
Embora nossa mãe fale uma língua bem complexa e refinada, a estrutura da língua que nos é proposta a ser falada é a mesma. Suponhamos que nossa mãe exímia nadadora esteja no rio em que nós vamos nos lançar. O rio é o mesmo, mesma é a água, a estrutura é a mesma: mas nossas inserções e apropriações são diferentes. Enquanto nossa mãe e a comunidade em que nossa mãe está falam fluentemente - nadam eximiamente - nós tatebitateamos, isto é, falamos em protolíngua, enquanto nossa mãe e a comunidade em que ela está falam em protodeuterolíngua.
Conclusão: nossas vivências intransitivas e espontâneas que tivemos, somente poderiam nascer quando as enunciássemos em falas, isto é, quando fazemos vivências do reconhecimento de nossas vivências não-nascidas. É como dar nome de ‘inefável” ao que escapa à nossa faculdade de fala. Mas, a palavra “inefável” enquanto palavra não é inefável. Assim, essas vivências intransitivas e espontâneas, apesar das vivências do reconhecimento, continuam NÃO-NASCIDAS E INEFÁVEIS.
Esse processo de vivenciar o reconhecimento de vivências não-nascidas e inefáveis é idêntico ao que fazemos quando falamos. Não é por nada que apenas quando conseguimos usar algumas protopalavras, as usamos para dizer muitas coisas: isto é, queremos dizer muitas coisas com uma só palavra ou com poucas palavras. Uma frase que valesse por muitas, por exemplo, hoje é também chamada de holófrase. Não seria isso que, sobrevivendo na protodeuterolíngua dos adultos, vai se chamar de sensibilidade ou saber de poeta? Não é para essa substância inefável e sempre não-nascida que aponta a escuta do psicanalista cujo ofício é escutar aquilo que no dito do psicanalisante fica ainda não dito?
Mutatis mutandis, supondo que nosso nascimento não se dá apenas quando saímos do útero materno, mas, nascemos em diferentes circunstâncias e situações ao longo de nossa vida, não caberia perguntar como é que nascemos para o envelhecimento?
Que é que é mesmo um velho fresco, uma velha fresca, neovelhos, ainda deslumbrados com as vivências intransitivas e espontâneas do envelhecimento? Seriam capazes de falar desse nascimento aqueles que dele nem tiveram ou têm vivências transitivas e espontâneas? E mesmo com vivências desse nascimento, - pois, pode-se morrer sem reconhecer essas vivências, à moda das criancinhas falecidas enquanto neonatas – como reconhecer essas vivências, se para elas temos tantos discursos enlatados, prêt-à-porter, ready-made, pré-fabricados?  
Com isso, estarei propondo descartar todo e qualquer interlocutor
.1) que não tenha tido vivências intransitivas e espontâneas de nascimento de envelhecimento;
.2) incapaz de ter um discurso original e próprio quando de fato tem ou teve vivências de nascimento de envelhecimento?
Se fosse possível, bem que descartaria a ambos, 1) e 2).
Todavia, babaquices e discursos babacas embora sejam fumaça, não são fumaça sem fogo. Mais, enquanto fumaça que denuncia fogo, esses discursos babacas não surgem e aparecem como qualquer fumaça e fumaça de qualquer fogo.
Nossos discursos DA velhice, tanto os discursos SOBRE a velhice, feitos por não senescentes, como os discursos DE envelhecentes (produzidos por envelhecentes), são discursos que não existem sem intensas poluições de babaquices.
E pelo fato de não podermos respirar oxigênio puro e sermos obrigados a respirar oxigênio poluído, nem por isso deixamos de respirar. Então, não podendo produzir discursos puros, mas discursos embabacados, nem por isso vamos recusar os discursos babacas ou deixar de produzir discursos mesmo tendo que nadar em águas poluídas de discursos babacas.
Nessas circunstâncias e nessas situações, cabe perguntar: em que tempo estou, em que lugar estou, com quem me ponho a entabular conversação de envelhecente sobre envelhecentes?
Embora, os velhos tenham mais presente a UTI FIXA em suas mentes, eles não podem dizer que já não estejam em UTIs MÓVEIS!
Os velhos lidam mais frequentemente com a dor, apesar de não estarem doentes; e lidam mais frequentemente com o sofrimento, apesar de serem velhos e testados em muitos combates. Perante esse estado de coisas, os velhos em geral dissimulam a dor que deveras padecem, a dor do debilitamento dos sentidos, tipo surdez e enceguecimento; enfraquecimento da memória, retardo e lerdeza na prontidão dos tecidos do corpo; a dor de cansaço de viver e a lição mil vezes mal aprendida de que mesmo dormindo com o outro no mesmo leito, cada qual dorme seu sono; que morrendo no mesma circunstância e momento, cada qual morre sua própria e inalienável morte. Tudo isso poderia ser deixado a esses geriatras que facilmente fazem o envelhecente se considerar doente? O gerontólogo, se for envelhecente, é quem estuda o envelhecimento, transformando a inelutável envelhecência em sábia envelheCiência.    
Um tema cuja atração está aumentando é o tema do humor (gozação) dos velhos, tanto o humor feito pelos não-velhos sobre os velhos,  como o humor (gozação) feito pelos velhos sobre os velhos.
Muitos não acreditamos que exista morte ou que exista velhice. E precisaríamos acreditar nessas babaquices, quando está escancarado diante de nossas caras que o morto e os mortos, sim existem; que o velho e os velhos sim existem? E cada vez mais, temos mais mortos na história da humanidade do que viventes. E será mesmo verdade que logo vamos ter mais velhos na humanidade vivente do que não-velhos? 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Retomando o meu blog novamente com as CES do yahoo e do facebook


From Elisabeth Cimenti: "Caon, vou tentar visitar o teu blog e endereços. Não me manejo muito bem nestas coisas, mas vou tentar. É uma forma de encontro."

 Elisabeth, já que vais ver o meu blog que andou parado e quase desativado por um tempo, então devo mesmo reavivá-lo.
Atualmente me dedico mais às duas CES  (Comunidade Epistolar Solidária) tanto no yahoo como no facebook. E é em uma parceria com o Karnas, que tu conheces pela Sônia Mara Karnas. 

Quanto a encontros semipresenciais via existência digital (conversar com a ponta dos dedos, como fazemos neste instante), me parece uma possibilidade muito propícia que vem substituir a literatura epistolar dos escreventes que há mais ou menos 50 ou 60 anos a faziam pelo Correio Comum.
Hoje, isso é viável pelo Correio Eletrônico. Mas, a prática de interrelações e conversações imediatas, em cima do lance, é novidade desde o advento da internete e costuma ser mais praticada pelo telefone ou skype.
E como sabes, brasileiro que sofre da maldição do índio e do negro escravo, apesar de ser falante, podia usar mais a fala, e sendo escrevente, quase não usa o escrever. Parece que para muitos de nós o falar é privilégio dos ORADORES e o escrever é PRIVILÉGIO dos ESCRITORES.
Por falar em escrever, como te sentes depois da "pubellication" de teu livro lançado em tarde de autógrafo? Bj jlcaon


ESTRELA PENTALFA

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Pascácia é crédula. Simples e prática, imediatamente solidária e prestativas. Mas é crédula. É cristã, cristianíssima. Mas é crédula. Ela nunca ouvira fala de Sancho Pança antes de eu lhe ter lido algumas aventuras desse homem simples.
Pascácia sabe ler. Quando estava se alfabetizando, notou que se escreve com a letra “z” a palavra “paz”. Então, ela mesma sabendo que na certidão de nascimento o nome dela estava escrito com a letra “s”, isto é, “Pascácia”, achou bonito escrever o nome dela com “z”, “Pazcácia”.
- Meu nome – me conta ela – se fala da mesma maneira: tanto faz se escrito com “s”, “Pascácia” ou com “z”, “Pazcácia”.
Quando Pascácia fala o nome dela, carrega e alonga a primeira sílaba, a tal ponto que já houve quem achasse que o nome dela é palavra proparoxítona e não paroxítona com ditongo descrescente: Páááazzzcacia e não Pascácia. Quem prestar atenção à fala dela, ouve que ela também acentua e prolonga as sílabas “pas” “pes”, “pis”, “pos” e “pus” ou “paz” “pez”. “piz”, “poz” e “puz” em todas as palavras em que aparecem essas sílabas.
Ao conhecer Gioconda, Pascácia apresentou-se assim:
- Meu nome é “Pááázzzcacia”. Sou do “Apooozzztoladado da Oração” da Paróquia de São Luís.
Pascácia é católica e apostólica e romana. Isto é, continua sendo supersticiosa como um romano, crédula como um católico papista e apostólica como uma senhora do Apostolado da Oração. Não lê os livros da Bíblia nem outros. Entretanto, aprecia que se lhe leia os livros da Bíblia ou os livros que a gente está lendo. Uma das muitas perguntas – a simplicidade a perdoa por ser indiscreta – que ela faz quando se encontra com alguém é: “Que é que você está lendo no momento?”
Pascácia sebe de cor muitas orações católicas, tanto em brasileiro como em latim. Ela descobriu cedo que eu tenho um certo amor pelo poliglotismo e também um certo desempenho em oito línguas. Isso faz com que ela acredite que eu sou um cristão abençoado. Para ela eu sou agraciado pelo Divino Espírito Santo. Segundo ela eu tenho o dom das línguas. Teria ela razão? De fato, quando falo em língua estrangeira, como francês, inglês, inevitavelmente falo brasileiro em todas essas línguas.
 Pascácia e Giconda se conheceram numa dessas canículas – dog days – que vêm se abatendo quase todos os anos sobre o extremo sul do Brasil. Por razões bem diferentes, as duas ajudam, a comunidade. Dessa vez, a seca inclemente reunia a todos num único e igual pedido: chuva, muita chuva.
Pascácia e Gioconda me contaram muitos fatos e casos referentes às canículas e especialmente referentes à última cujos efeitos ainda perduram em nossas almas, digo, hortas. Lembro-me que depois de elas me falarem do encontro onde se conheceram e das agruras das canículas por que passaram, eu escrevi um textinho disfarçado em conto ou crônica ou coisa parecida, apenas para me exercitar e me manter em forma, como quando se vai a uma academia de exercícios aeróbicos, tipo musculação e alongamentos, ou exercícios aquáticos tipo natação e hidroginástica. Consultando meus guardados no meu canhenho eletrônico, encontro o seguinte:


A crente disfarçada em beata
 e a beata disfarçada em crente

A canícula com estiagem detonava as hortas de Gioconda e de Pascácia. Sem imitarem a dança da chuva que os índios dançam um pouco antes de chover, organizaram uma novena de procissões pedindo chuva.
Foi sucesso no primeiro dia e a cada dia a procissão engrossava.
No sétimo dia, Pascácia visitou Gioconda e quis ver-lhe a horta. Ficou surpresa, pois a horta de Gioconda estava verde e viçosa.
- Como pode tua horta estar verde se a minha está murcha e quase seca e se nossas rezas são as mesmas?
- Comadre! Vai ver que as minhas plantas têm fé e as tuas não.
Insultada com aquela observação blasfêmica, Pascácia retruca:
- Conta a verdade. Que é que está se passando?
- Comadre! Depois de cada procissão eu rezo, digo, rego as hortaliças todinhas.
Pascácia sentindo-se desaforada ainda acrescenta:
- Então, para quê vais às procissões?
- Para regar a alma. Fé é água para a alma e a água é fé para as plantas.
É conhecida a dança da chuva que os índios fazem um pouco antes de chover... Como é que sabem se não são meteorologistas? Saber de índio é saber de índio.
As beatas, sem o saber dos índios, dançam e desfilam em novenas. Mas, Gioconda sabe que água é fé para a planta e fé é água para a alma. E ela e as plantas se dão bem.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012



Casamento livre x  voto obrigatório: a quem interessa?

         Por jlcaon@terra.com.br 120916380122

         Suponhamos uma lei que obrigasse a todo brasileiro com dezoito anos ser obrigado, de dois em dois anos, a apresentar-se ao juiz de família, pouco importa para casar ou continuar como está. E essa obrigação de se apresentar perante o juiz de família vale para aquele que já se apresentou como para aquele que nunca se apresentou. Isto é, não importa casar ou não casar, estar ou não estar casado, tem que se apresentar ao juiz de família de dois em dois anos.
Os cidadãos são tradados como menores nesse regime?
Devagar! Que no Brasil, eu, depois dos setenta anos, estou livre dessa obrigação. Quer dizer que quanto a essa obrigação de me apresentar ao juiz eleitoral de dois em dois anos, eu me tornei maior não aos vinte e um anos de idade como era até pouco tempo nem aos dezoito anos como é atualmente, eu só me tornei maior aos setenta anos.
Penso que escolher cônjuge e casar é civilmente muito mais sério do que votar. Ora, escolher cônjuge não é obrigatório. Nem se é obrigado a prestar contas se se quer escolher cônjuge ou se já se escolheu cônjuge.
Esse país resolveu esse problema de votar num parceiro/a e casar. O brasileiro é maior a partir dos dezoito anos.
Não resolveu o problema do voto livre. Como pode ser livre o voto se é obrigatório? Não é isso um vício redibitório da razão jurídica desse país?


 
         Casamento livre x voto obrigatório: a quem interessa? (II)
         Por jlcaon@terra.com.br 120917380209
         As experiências aos trancos e barrancos da democracia brasileira perpassam três séculos. Um denominador comum dela é a obrigatoriedade jurídica do voto com intermitências de suspensão das garantias individuais, incluída a obrigatoriedade do voto. Mas, isso se parece à suspensão da obrigatoriedade de escovar os dentes para todos os que ficaram reduzidos a banguelas.
         Há “lógica” de comunicadores, apresentadores, palestradores, articulistas nos canais de comunicação afirmando explicitamente que o brasileiro ainda não está maduro para exercer a liberdade do voto livre. Ora, o brasileiro aprende cedo muitas coisas: ler e escrever, dirigir automóvel, usar cartão eletrônico, celular, internete, casar, divorciar-se, mas, não aprende a votar!
Até brasileiro analfabeto tem a honra de poder votar obrigatoriamente! Assim, o voto obrigatório iguala a todos os brasileiros.  Voto imposto que democratiza!  
Ora, quando se é obrigado a aprender, não se aprende, ou se se aprende, aprende-se apenas para sair da obrigação de aprender. As aprendizagens conquistas obrigatoriamente duram até o momento em que o aprendente se libertou da imposição. Caso mantenha a aprendizagem, ele a ressitua, agora, no espaço de liberdade em que é livre para reaprender aquilo que aprendeu acabrestado.
         Penso que canalhas continuam a ser eleitos enquanto o voto for obrigatório. Sempre foi mais fácil persuadir rebanhos acabrestados do que conduzir homens livres.
         Na liberdade, o cidadão escolhe votar. O saudosos acabrestado poderá aprender a votar, mas somente enquanto cidadão livre. Em liberdade, o cidadão brasileiro aprenderá a votar.  
        


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Diário de campo para 12-13 de setembro de 2012 (a continuar)



Diário de campo de 12-13 de setembor de 2012.

Frequentemente utilizo um experimento impossível para dar a entender a impossibilidade de contar tudo, tudo esgotar, um dos secretos desejos dos escritores. Nesse experimento impossível, o escritor fica durante alguns anos escrevendo a biografia. Ao entregar os diversos volumes ao editor, esse lhe diz que fala ainda o volume que narra o tempo em que o escritor estava escrevendo a autobiografia. E quando retorna com mais um volume, o editor ainda lhe pede mais um adendo...
A insuportável incompletude de quem escreve leva alguns a escreverem ao lado da obra em que estão envolvidos também um diário de campo. Mas, esse diário de campo é frequentemente um monólogo, mais um monólogo, guardado a sete chaves. Quase nunca esse diário de campo é uma literatura epistolar em cima do lance, onde a conversação pode se dar entre o escritor que escreve a um leitor e um leitor que escreve a um leitor.  Chamemos ao primeiro de escritor e ao segundo de escrevedor. Ambos são leitores, provavelmente, o primeiro mais ávido que o segundo.
É dessa avidez, guardada como desejo secreto pelo escritor, que, a meu ver inicial, faz com que os escritores acabem ficando mais conhecidos do que suas obras. E há razões para tanto: a rapidez com que passamos pelo dia atualmente repartido inúmeras e quase incontáveis tarefinhas; a produção consumista que as mídias sugam como buracos negros ou como manantiais (com “t”) como queria Simões Lopes Neto no seu conto. Todavia, o donominador comum me parece justamente ser essa inuportabilidade da incompletude.
Mas, já que os escritores vivem famintos e sonhando com a opinião dos leitores e se consolando não com uma CONVERSAÇÃO imediata com eles, mas metonimizando essa fome com alguns dos personagens dos próprios textos, cabe perguntar se mesmo escrevendo uma literatura dialogada (pelo menos com seus personagens) não estão fazendo apenas um monólogo. E depois que o texto, saído do prelo, circula, para que serve ao escritor querer CONVERSAÇÕES com o leitor. Esses procedimentos que mais tornam conhecidos os escritores do que as obras deles não são uma reedição do culto à vaidade e como tal uma produção paralela à produção literária, uma e outra servindo de distração poderosa contra a insuportabilidade da incompletude.
Há pouco tempo, sondando esse espaço entre escritor e leitor, lancei mão do que se pode fazer com o que nos é oferecido pelo yahoo e pelo facebook. Consegui criar um espaço de comunidade epistolar solidária (CES) com endereço eletrônico no yahoo e no facebook. Esse experimento possível revela que não somente os escrevedores sofre de inibições inimagináveis, severas e eficazes, mas também que os escritores não conseguem se manifestar como escrevedores.
Atualmente, sabe-se, com os estudos da psicogênese dos textos, que os borrões dos escritores, com certa frequência, revelam mais literatura do que os textos aprovados pelos editores. A possível CONVERSAÇÃO imediata com o outro estrangeiro, condição única e sine qua non do escritor e do escrevedor compartilhar a própria incompletude existencial, continua sendo secreto e inconfessado desejo de um e de outro. Perante isso, não podemos olhar para esse mar de textos formando um só texto, como um oceano de incontáveis pingos formando um único pingo? À deriva, escritor e escrevedor, poderiam ir se falando, digitalizando, em cima do lance, retomando a literatura epistolar praticada por alguns escritores e escrevedores do passado, servindo-se do correio comum – pensemos ocasionalmente em Freud (escritor) e Fliess (escrevedor), ou vice-versa, - e, atualmente, procedendo da mesma maneira, servindo-se do correio-eletrônico. Mais, hoje é possível que escritor e escrevedor se falem, digo digitalizem – perante outros leitores, escrevedores ou escritores. Os blogs, os grupos yahoo, facebooks, etc., não estão revelando que os diálogos dos personagens dos escritores  dissimulando o próprio monólogo – sejam romancistas, teatrólogos, etc., - pode sobreviver no surfe transitório, imediato e vivo de cada presente que é nossa única eternidade?
Pois que não adiante fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro ou outro subterfúgio, todos partimos irreversivelmente, e no presente, porque ninguém morre no passado nem no futuro, mas no presente.   

***  ***  ***
A apresentação da CES (comunidade epistolar solidária) encontra nos portais, no espaço yahoo e facebook, respectivamente.

Caro Karnas, nós escrevemos no portal da CES (Comunidade Epistolar Solidária):
“A maior revolução pedagógica acontece nos momentos em que a classe de aprendentes fica disposta em círculo, onde um participante enxerga a todos e todos enxergam a um, e onde cada participante, em PÚBLICO, dirige a palavra a UM interlocutor que, por sua vez, lhe responde, imediatamente e em público.
Trata-se de modalidade de exercício do diálogo vivo e prático, como Aristóteles teoriza em “Tópicos”, Kant em “Lógica” e H.P. Grice em “Lógica e conversação”
No ambiente escritural, essa forma de interatividade dialogada se dá, em parte, por cartas enviadas pelo correio comum. Todavia, as cartas não costumam ter publicidade imediata. Sabe-se raramente de carta publicamente enviada a um interlocutor. Esses são os limites em que estava a literatura epistolar.
Atualmente, graças à invenção do correio eletrônico e à organização de grupos internéticos, como os grupos yahoo e facebook, a literatura epistolar pode ser PUBLICAMENTE retomada, redimensionada e praticada no momento mesmo da sua produção, democratizando, assim, o ambiente internético, como se democratiza o ambiente áulico.
É a interescritura em público que torna capaz um escritor, profissional ou amador, a sair de sua solidão e a escrever para o leitor que lhe escreve. Ganham os interlocutores, ganham os participantes e ganha a democracia.
Carlos Fernando KARNAS, jornalista, e José Luiz CAON, psicanalista, depois de diversas iniciativas, em ambiente escritural, com grupos de participantes presenciais, semipresenciais e à distâncias, postos imediatamente a escrever para leitor que escreve, estamos animando mais essa iniciativa de literatura epistolar pública, em cima do lance, nessas duas comunidades internéticas abertas ao escritor profissional ou amador, disposto a escrever para o leitor que escreve.
De Caçapava (SP) e de Porto Alegre, 17fev2011
        
         Disse que isso se encontra no portal dessa Comunidade Epistolar Solidária do yahoo, comunidadeepistolarsolidaria@yahoogrupos.com.br. O verbo latino “sóleo”, “solére”, significa ter o costume de, e em brasileiro temos, frases, assim: “isso sói acontecer frequentemente”. Sólido é um particípio passado e solidário é aquilo que costuma acontecer. Então, se eu costumo me fazer acontecer, então, eu sou solidário. Mas, se não costumo me fazer acontecer, então sou esporádico.
Muitos conhecem o termo “solidário” no sentido de “voluntário”, “compassivo”, “participativo”, evidentemente coisas de valores humanos promovidos até pelos avarentos que abençoam aos praticam esses valores, embora ele, os avarentos, não podem perder sua devoção ao capital em forma de dinheiro, sonante ou fictício, pois seria perder a própria identidade. Que o capital em forma de dinheiro nos escravize, quando ele nos faz falta, nada surpreendente. O que me surpreende é que, em tendo capital, em forma de dinheiro, o avarento (também conhecido como rico) não pode não ser escravo desse capital sob forma de dinheiro sonante e agora também fictício. O estado de coisas assim ultrapassa a qualquer noção de nossa limitadíssima psicopatologia.
E assim retomo nossa conversação, sempre assoprado por Pascácia, Estafermo e Gioconda que perguntam por ti. Abr jlc


O painel de hoje, dia 12 de setembro, a partir das 19 teve a participação de Ana Mariano, advogada, poeta e escritora;  Dulcinea Santos, crítica literária e escritora; Luiz-Olyntho Telles da Silva, psicanalista e escritor; membro de Biblioteca Sigmund Freud; de Virgínia Helena Vianna Rocha, advogada,  poeta e escritora e de Waldomiro Carlos Manfroi, médico e escritor; Ex-Diretor da Faculdade de Medicina (UFRGS); Membro da Academia Sul-Riograndense de Medicina - Membro da Academia Sul-Riograndense de Letras - Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Dulcinea Santos, escritora e crítica literária, fez um raio-x inicial dos contos gauchescos de Simões Netto, que vale para outros contos cujo tema é o gaúcho riograndensedossul. Guardei as referências que ela fez Heideger cujo método de pesquisa é o procedimento de esquecimento-desesquecimento (lethé-alethé), método que é também proposto frequentemente por Lacan. Outrossim, trouxe Dante de Alighieri que de fato é ao mesmo tempo autor, narrador e personagem protagonsita principal de seu “diário de vida” e comparou-o ao célebre personagem Blau Nunes, de Simões Lopes Neto.
Ana Mariano, fez muitas aproximações, especialmente servindo-se de um poema de Carlos Drummond de Andrade, “Desaparecimento de Luísa Porto” http://www.releituras.com/drummond_luisa.asp, acentua o olhar de soslaio, em paralaxe, pois que não somos capazes de olhar diratamente perante o sol, a morte, assim sendo, a literatura é um olhar de soslaio. Ela é autora do  livro “Atado de ervas” retrata a gauchidade recente http://lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=836453&ID=645355
 Waldomiro Carlos Manfroi, médico e escritor; Ex-Diretor da Faculdade de Medicina (UFRGS); Membro da Academia Sul-Riograndense de Medicina - Membro da Academia Sul-Riograndense de Letras - Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que escreveu sobre a inserção dos imigrantes pobres, deportados da Itália para o Brasil, “A confissão do espelho”, suscitou diversas aberturas de como a gauchidade atraiu esses “miseri coloni”. Eu mesmo me lembro que meu pai, Jocondo Caon, que era professor primário, sempre me lembrava o lema: “Sou brasileiro, gaúcho verdadeiro”. Elvira, minha mãe, por sua vez me fez uma bombacha e as alpargatas eram frequentes entre nós, naqueles grotões próximos do rio Jararaca em Antônio Prado. E o chimarrão sempre esteve presente desde que me conheço por gente. A erva mate era colhida, tratada no forno e moída num pilão por nós mesmos. É curioso que o “mísero colono”, sem-terra, que busca paradeiros em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e no Norte e Nordeste do Brasil ele continua se chamando de “gaúcho”, torcendo pelo Grêmio ou pelo Internacional.
Luiz-Olyntho Telles da Silva, psicanalista e escritor; membro de Biblioteca Sigmund Freud; se posicionou a partir da psicanálise lacaniana. Ponto alto da fala dele referiu-se ao termo “manancial”, que também aparece escrito com “t”, “manantial”. E aprentou o texto “No manatial” de Simões Lopes, onde o termo “manantial” aparece não menos do que 17 vezes. http://produtoculturalgaucho.blogspot.com.br/2011/12/no-manatial-de-simoes-lopes-neto.html
Todavia, há o termo “manancial” que significa nascente, jazida: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-sao-mananciais. E na literatura mística, manancial é fonte de bens e graças divinos. Então, por um lado a mulher enquanto mãe é manancial (fonte de bens) para a criancinha e é um manantial (sumidouro) enquanto parceira. E é entre a mulher enquanto manantial e manancial que a gauchidade se prosterna e também hesita, pois que prenda e chinoca é uma estância intermediária.
Por fim, Virgínia Helena Vianna Rocha, advogada,  poeta e escritora é a anfitriã que também trouxe suas vivências de fronteira, desse mundão que não é nem Brasil nem Uruguai.

TRÊS PONTOS EM COMUM

CONVIDA
PARA A HOMENAGEM AOS

CEM ANOS DE
CONTOS GAUCHESCOS

JOÃO SIMÕES LOPES NETO:
LINGUAGEM E RELEITURAS
jsLN
Nos dias
12, 13 e 14 de setembro de 2012
no
Instituto NT de Cinema e Cultura
Rua Marquês do Pombal, 1111
Moinhos de Vento – Porto Alegre
(Entrada franca)

P r o g r a m a

Nos dias 12, 13 e 14/09:
Horário: das 14h às 23h
Abertura: dia 12/09, às 20h30
(Será servido um vinho de honra)
Exposição de pinturas e gravuras dos artistas
Angela Pettini
Arlete Santarosa
Cylene Dallegrave
Dânia Moreira
Eda Lani Fabris
Eliane Santos Rocha
Esther Bianco
Jane Machado
Jussara Schivitz
Lília Manfroi
Mabel Fontana
Márcia Rosa
Paulo Olszewski
Raquel Lima
 
Dia 12/09
Às 19h
Painel com a participação de
Ana Mariano
- advogada, poeta e escritora -
 Dulcinea Santos
- crítica literária e escritora -
Luiz-Olyntho Telles da Silva
- psicanalista e escritor; membro de Biblioteca Sigmund Freud -
Virgínia Helena Vianna Rocha
- advogada,  poeta e escritora -
 Waldomiro Carlos Manfroi
- médico e escritor; Ex-Diretor da Faculdade de Medicina (UFRGS);
Membro da Academia Sul-Riograndense de Medicina
Membro da Academia Sul-Riograndense de Letras
Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul -

Dia 13 /09
Às 19h
Sarau coordenado por
Cristina Macedo
- poeta e escritora, Membro da Academia Literária Feminina -
Com a participação de
Renato de Mattos Motta
- poeta -
Virgínia Helena Vianna Rocha
- advogada,  poeta e escritora -

Coordenação Geral
Virgínia Helena Vianna Rocha

sábado, 1 de setembro de 2012

Sobre o livro "Elogio da conversa"

E um livro da Gradiva.
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/recen078.htm

Não tenho informações ainda fora aquilo que se lê no endereço acima.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lacan com Gödel

120621 - Lacan com Gödel:

No momento, consegui levantar as ocorrências em que Lacan se refere a Gödel:
.01- S09-11 de 28fev1962.
 
.02- S13-01 de 01dez1965.
.03- S13-14 de 20abr1965.
 
.04- S16-05 de 11dez1968.
.05- A16-06 de 08jan1969
 
.06- S19-03 de 12jan1972 (É o Seminário que vai sair agora, "Ou... pior".)
.07- S19-06 de 12 jan1972? (É o "Estou falando aos muros".)
.08- S19-09 de 10mai1972 (?) É um ou outro dos citados em 06. e 07.
.09- S19-15 de 10mai1972 (?).É um ou outro dos citados em 06. e 07.
 
.10- S24-12 de 10mai1977.
 
.11- Escritos 01: "Ciência e verdade".
.12- Resenha do S14 (Problemas cruciais da psicanálise).
 
Guardem esses dados e se possível visitem as passagens.
Por que é que são importantes essas referências de Lacan a Gödel? Para não temer aceitar enunciados indecidíveis necessários para o sistema aritmeticizado que usamos seja CONSISTENTE, mas não COMPLETO.
Esse enunciado INDECIDÍVEL pode ser acolhido como AXIOMA. Ora, axioma é enunciado que acolhemos, ou por que é 1) autoevidente (quando duas coisas soia ambias iguais a uma terceira, então as três são iguais entre si), ou porque o acolhemos enquanto tal. Nesse caso, um dogma de fé pode ser considerado um axioma? O crente de fé vai dizer que não. Mas, que tipo de crente é esse?
As perguntas que Jaira e Fany fazem procedem, apesar do aparente escândalo que essas perguntas revelem. 
Pensemos no seguinte:
O Vitor goleiro do Grêmio vai chutar um pênalti contra o goleiro do Palmeiras.
Três possibilidades:
1) Vitor faz gol para o time dele, o Grêmio.
2) O goleiro do Palmeiras defende o pênalti.
3) Vitor chuta fora a bola.
O que é que sempre se sai bem sucedido nessas três possibilidades?
Dica para um matema: "O desejo como a lei de gravidade são inquebráveis, fossem quebráveis não seriam desejo ou lei de gravidade!"  
        José Luiz Caon